Segurança, ética, RGPD e normas IA

Acção 1 · 9 Jul 2026 3 horas · 9h-12h Sessão 6 de 7
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Segurança, ética e RGPD
Sessão 3h · 9h00–12h00 · Acção 1 · 9 Jul 2026
Para começar — 9h00

Já alguma vez usaste dados de clientes ou colegas numa ferramenta de IA? Sabes onde esses dados foram parar e o que pode acontecer com eles?

Bloco 1 — Ética e regulação · 9h10 1 / 5

Objectivos desta sessão

  • Compreender porque é que a ética em IA não é opcional
  • Conhecer os princípios de IA responsável e como aplicá-los
  • Perceber o que o RGPD exige quando usamos IA com dados pessoais
  • Conhecer o AI Act europeu e as suas implicações práticas
  • Aplicar as normas de segurança, qualidade e saúde no trabalho
  • Fazer a auditoria ética e de risco do teu caso de uso (Peça 7)
Penúltima sessão: depois desta auditoria, a S7 é a compilação final. O teu projecto fica completo e pronto a apresentar.

IA não é neutra — e isso importa

Cada sistema de IA reflecte as escolhas de quem o construiu, os dados com que foi treinado e o contexto onde é usado.

  • Viés algorítmico: sistema de recrutamento da Amazon discriminava mulheres — treinado com CVs históricos maioritariamente masculinos
  • Opacidade: sistemas de crédito que negam empréstimos sem conseguir explicar porquê — impossível contestar
  • Responsabilidade difusa: quando a IA decide, quem é responsável pelo erro? O utilizador, a empresa, o fornecedor?
  • Efeito de escala: um preconceito humano afecta dezenas de pessoas; um preconceito algorítmico afecta milhões
Princípio fundamental: a IA deve ser um instrumento ao serviço dos humanos — não o contrário. A decisão final com impacto nas pessoas é sempre responsabilidade humana.

6 princípios de IA responsável

  • Transparência: as pessoas sabem quando interagem com IA e como as decisões são tomadas
  • Equidade: o sistema não discrimina nem amplifica desigualdades existentes
  • Privacidade: dados pessoais protegidos e usados apenas para o fim declarado
  • Segurança: o sistema é robusto, testado e resistente a manipulação
  • Responsabilidade: existe sempre um humano responsável pelas decisões tomadas com apoio de IA
  • Benefício social: o sistema serve o bem comum — não apenas o lucro do fornecedor

O AI Act europeu — o que mudou

A UE aprovou o primeiro quadro regulatório abrangente para IA — em vigor desde 2024, implementação faseada até 2027.

  • Risco inaceitável (proibido): pontuação social de cidadãos pelo Estado; manipulação subliminar; reconhecimento facial em espaço público em tempo real (com excepções)
  • Risco alto — obrigações estritas: IA em recrutamento, crédito, saúde, educação, segurança pública — transparência, supervisão humana, documentação obrigatória
  • Risco limitado: chatbots — obrigação de identificar que é IA
  • Risco mínimo: filtros de spam, jogos — sem obrigações específicas
Na prática: se o teu caso de uso envolve decisões sobre pessoas (recrutamento, crédito, acesso a serviços), o AI Act impõe obrigações de documentação e supervisão que tens de cumprir.

RGPD e IA — o que tens de saber

  • Base legal: precisas de justificação legal para processar dados pessoais com IA (consentimento, contrato, interesse legítimo)
  • Finalidade: dados recolhidos para um fim não podem ser usados para outro diferente
  • Minimização: recolher só o que é estritamente necessário
  • Explicabilidade: decisões automatizadas com impacto significativo têm de poder ser explicadas e contestadas
  • Direito ao esquecimento: a pessoa pode pedir eliminação dos seus dados
  • Portabilidade: a pessoa pode pedir os seus dados em formato reutilizável
Regra prática: nunca introduzir dados pessoais de clientes, colaboradores ou terceiros em ferramentas de IA externas sem verificar os termos de serviço e garantir base legal RGPD.
Exercício 1 · 10h00–10h15 · Projecto — Peça 7a
Exercício 1 de 2 15 min · Individual

Identificar riscos éticos do meu caso de uso

Aplica os 6 princípios de IA responsável ao teu caso de uso. Este é o primeiro passo da auditoria ética.
Tarefa Moodle — Peça 7a do Projecto Final · entrega até à sessão 7
Bloco 2 — Segurança, normas e saúde no trabalho · 10h30 1 / 4

Segurança na utilização de IA

  • Prompt injection: inputs maliciosos que tentam manipular o comportamento da IA — relevante em chatbots expostos ao público
  • Fuga de dados: inputs enviados para LLMs externos podem ser usados para treino futuro — usar versões enterprise que garantem não usar dados
  • Dependência excessiva: quando os colaboradores aceitam tudo o que a IA diz sem questionar — corrosão do pensamento crítico
  • Deepfakes e fraude: voz e imagem sintética usadas para imitar chefias e autorizar pagamentos — já aconteceu em Portugal
  • Exposição de informação confidencial: estratégias, dados financeiros, segredos comerciais introduzidos em chatbots
Política de uso responsável: a organização deve definir o que pode e não pode ser introduzido em ferramentas de IA externas — antes do incidente, não depois.

Normas de segurança IA e qualidade

  • ISO/IEC 42001:2023: sistema de gestão para IA — define como implementar, monitorizar e melhorar sistemas de IA de forma responsável
  • ISO/IEC 23894:2023: gestão de risco em IA — identificar, avaliar e tratar riscos de sistemas de IA
  • Normas da qualidade (ISO 9001): processos com IA devem ser documentados, controlados e sujeitos a melhoria contínua

Na prática — o mínimo exigível

  • Documentar os sistemas de IA em uso e o seu propósito
  • Definir critérios de aceitação e limites de uso autónomo
  • Estabelecer processos de validação antes de usar outputs em decisões críticas
  • Rever regularmente se o sistema continua a funcionar como esperado

Saúde e bem-estar no trabalho com IA

A IA deve reduzir carga cognitiva — mas pode criar novos riscos se mal implementada:

  • Sobrecarga de supervisão: monitorizar sistemas automatizados continuamente é mentalmente esgotante — criar pausas e rotações
  • Erosão da autonomia: quando a IA decide tudo, os colaboradores perdem a capacidade de julgamento independente
  • Ansiedade tecnológica: medo de ser substituído, de não perceber as ferramentas, de cometer erros — formação é a resposta
  • Hiperconectividade: automação que responde 24/7 cria expectativas de disponibilidade permanente — definir limites claros
Princípio: a IA deve aumentar a qualidade do trabalho humano — não apenas a velocidade. Se os colaboradores estão mais stressados depois da IA, a implementação falhou.

Resumo — Sessão 6

  • IA não é neutra — reflecte dados, escolhas e contextos; um preconceito algorítmico afecta milhões
  • 6 princípios: transparência, equidade, privacidade, segurança, responsabilidade, benefício social
  • AI Act: 4 níveis de risco — alto risco exige documentação, supervisão e explicabilidade
  • RGPD: base legal, finalidade, minimização, explicabilidade para decisões automatizadas
  • Segurança: prompt injection, fuga de dados, deepfakes — definir política antes do incidente
  • Saúde no trabalho: a IA deve reduzir carga cognitiva, não criar novos riscos
Última sessão (15 Jul): compilar o teu Plano de Implementação completo e receber o Kit do Formando.
Exercício 2 · 10h45–11h30 · Projecto — Peça 7b
Exercício 2 de 2 45 min · Individual

Auditoria completa — RGPD e segurança do meu caso de uso

Completa a auditoria ética com a análise de conformidade RGPD e as medidas de segurança. Esta peça fecha o capítulo de risco do teu projecto final.
Tarefa Moodle — Peça 7b do Projecto Final · Auditoria RGPD e segurança · entrega até à sessão 7
Quiz de revisão · 11h30

Quiz — Sessão 6

5 perguntas · revisão informal · sem nota

1. O princípio de "minimização de dados" no RGPD significa:

2. No AI Act europeu, qual aplicação é classificada como "risco inaceitável" (proibida)?

3. Qual a melhor prática quando precisas de usar dados de clientes numa ferramenta de IA externa?

4. O "prompt injection" é um risco de segurança que consiste em:

5. Em termos de saúde no trabalho, quando é que a implementação de IA falhou?

Kit da Sessão 6

Checklist RGPD + IA · Guia prático do AI Act · Template de política de uso responsável de IA

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